Democracia Interna e Política
30-Jan-2009

a.jpgUm dos temas que tem sido alvo de debate dentro do Bloco é o da Democracia Interna. Entre críticas justas e injustas, foram levantadas (por camaradas de todas as moções, diga-se) questões importantes acerca da forma como se estrutura e funciona o Bloco e das insuficiências que continuamos a ter a esse nível.

Texto de José Guilherme Gusmão, Subscritor da Moção A

Este debate é fundamental e estruturante para o Bloco. É por isso que é vital que ele seja feito de forma séria, o que implica da parte de todos alguns compromissos:

1.      A comparação do funcionamento do Bloco com o de outras organizações políticas não pode chegar para nos deixar satisfeitos - O Bloco tem problemas de funcionamento e todos esses problemas, sem excepção, são problemas de Democracia e são problemas de Política. Ignorá-los seria recusar um dos propósitos fundadores do nosso Partido, que é o da construção de uma organização em que a pluralidade e diversidade são uma força e não uma fraqueza.

2.      Este tema não é para “pôr a render” - As teorias conspirativas são uma manipulação e uma demonstração de má-fé, cuja única consequência é a destruição do debate, não apenas sobre as escolhas políticas que estão em jogo nesta convenção, mas sobre o próprio debate que se afirma querer lançar.

3.      Avançar com propostas concretas é uma responsabilidade de todos não apenas da direcção ou de uma moção particular - Muitos camaradas fazem muitas críticas e poucas ou nenhumas propostas. Mas a recriminação, por si só, não é uma política. Todos merecemos mais. E do conteúdo das Moções B e C não consta nenhuma proposta a este nível a não ser a da Convocação de um Encontro sobre organização (na moção B). Essa proposta merece ser discutida, mas resume-se a adiar o debate para um momento futuro.

O que foi feito

Mas não é verdade que nada tenha mudado a este nível. Ao longo dos últimos anos, alguns destes problemas tiveram respostas várias. Através do Correio da Mesa, o Portal, a Revista Virús, o Rede Local, criaram-se ou ampliaram-se espaços de debate e circulação de informação dentro do Bloco. O Grupo Parlamentar reforçou fortemente a sua informação para a organização e para o público. A Cultra constituiu-se como um espaço em que a reflexão e se faz em diálogo com outros e as duas edições do Socialismo abriram também debates frequentemente fora da agenda quotidiana.

Num plano mais orgânico, realizaram-se vários Encontros temáticos e/ou sectoriais em áreas como as Autarquias, Trabalho, Ambiente, LGBT, Educação, Juventude, etc. Vários núcleos com graves debilidades de funcionamento, que inviabilizavam níveis mínimos de participação militante, foram estabilizados e reúnem agora com regularidade.

Este caminho tem de ser continuado. A consolidação de espaço de debate e de reflexão, mas também de decisão e iniciativa não é apenas vital para a qualidade da nossa democracia. É uma condição imprescindível para o dinamismo, criatividade e diversidade da nossa intervenção política e para o aproveitamento do nosso potencial de activismo.