O futuro passa por aqui PDF Imprimir e-mail
16-Jan-2009

c.jpgA menos de um ano das próximas autárquicas, os primeiros meses de 2009 vão ser decisivos em termos de mobilização, de organização, mas também de clarificação. Fruto de inexperiência, mas também resultado da falta de uma coordenação e de um apoio político consistente, o nosso trabalho de eleitos ficou, na grande maioria dos casos, aquém das expectativas criadas em 2005 e aquém das responsabilidades de um partido que quer ser alternativa de Esquerda aos poderes instituídos.

Texto de Isabel Faria, Subscritora da Moção C 

Faltou-nos a maioria das vezes arrojo, dedicação, entusiasmo, clareza e consistência política. E há que, sem complexos e sem tabus, assumir autocriticamente a nossa passagem pela maioria das autarquias.

O caso paradigmático de Lisboa, acabou por ser, afinal, apenas mais um caso em que a falta de consistência política, agravada pela importância de Lisboa, pelas expectativas criadas, por ser a primeira vez que o Bloco se estreava numa experiência de Poder e logo na capital do País, não mudando a cidade, nada de positivo trazendo para o Bloco faz com que o saldo final seja claramente negativo.

As propostas que apresentamos para 2009 são claras: um Bloco combativo, alternativo, interveniente, claro, consistente e socialista. A clareza não se compadece com enigmas, com recados, com tibiezas, ou com experiências. A clareza passa por programas políticos e por pessoas empenhadas na sua defesa.

A política autárquica do BE tem que passar por um programa de denúncia da corrupção e dos esquemas financeiros, de devolução das cidades às pessoas, de justiça social, de defesa da qualidade de vida, de democracia e de participação. A postura do Bloco terá que ser, pois, a de voltar a calcorrear terreno firme, apostando em candidaturas próprias com programas claros. Em caminhos seguros. Sendo oposição a Sócrates e à Direita. Sendo alternativa àquilo e àqueles que fizeram da maioria das nossas autarquias, ao longo de sucessivos e variados mandatos, o que elas são hoje - tristes, vazias, abandonadas, sem vida, à mercê de interesses imobiliários e comerciais. Tal como o País, com o futuro sempre adiado.

Na hipótese de o Bloco não se com apresentar listas próprias e apoiar listas de cidadãos, a unidade ou a convergência tem que se basear em princípios claros e transportar programas que não colidam com o nosso programa, com os nossos objectivos nem com os nossos compromissos.

O trabalho de organização que temos pela frente só é possível se mobilizarmos vontades e recuperarmos entusiasmo, escrevia no início do texto. Uma e outro são incompatíveis com incógnitas e com terrenos movediços, ouso acrescentar. A alternativa de Esquerda à Direita, ao PS mas também às gestões da CDU passa por nós. Espero que na Convenção todos reiteremos a nossa vontade e a nossa disponibilidade para a criar. Sem tibiezas nem hesitações.

Isabel Faria

 
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